“Vasta é Castela”, diálogo cultural a Idanha-a-Nova

O Centro Cultural Raiano, em Idanha-a-Nova, tem patente a exposição de fotografia “Vasta é Castela”, do fotógrafo francês Bernard Cornu. A mostra apresenta o culminar de uma trajetória artística singular e expande o diálogo cultural de várias décadas entre o autor e o território idanhense.

A exposição, com entrada gratuita, está patente no Centro Cultural Raiano (Av. Joaquim Morão, Sala 1. Idanha-a-Nova, Portugal) de terça-feira a domingo, das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00, até ao mês de outubro.

A inauguração deste projeto integra o programa oficial da XXVI Feira Raiana, certame focado no desenvolvimento local e na cooperação transfronteiriça. As cerca de 40 imagens patentes representam uma seleção do acervo de 580 impressões fotográficas que Bernard Cornu doou ao Município de Idanha-a-Nova no ano de 2024. Esta vivência conjunta transforma a perspetiva de Bernard Cornu numa narrativa partilhada sobre a identidade ibérica.

Na cerimónia de inauguração da mostra fotográfica, sublinhou-se o significado histórico e institucional da iniciativa. A exposição celebra uma aliança estética duradoura com o autor, cujo primeiro trabalho em Portugal foi apresentado neste mesmo espaço no ano de 1999.

O concelho de Idanha-a-Nova entende a fronteira como um espaço de união, validando uma vocação transfronteiriça que antecipou as pontes hoje consolidadas na Rede de Cidades Criativas da UNESCO.

Vítor Mascarenhas, Vice-Presidente da Câmara Municipal.

“Vasta é Castela” deu também nome a um livro, com prefácio de Albert Bensoussan e fotografias de Bernard Cornu, que foi lançado no Centro Cultural Raiano.

Castela sob o olhar de Bernard Cornu

Castela é vasta e imensa, mas é no olhar atento de Bernard Cornu que encontra a sua síntese mais poética. Mais do que um observador, Bernard Cornu é um intérprete da luz e do silêncio, alguém que soube ler as rugas da terra e a dignidade dos homens com a naturalidade de quem partilha o que ama. trazendo consigo não apenas o nosso território, mas a alma do país que a vida lhe permitiu descobrir, a lente de Bernard Cornu veio integrar-se numa linha de intervenção que é muito cara a Idanha-a-Nova. Daí que a sua relação com a nossa terra seja já longa. O trabalho que agora se apresenta é o culminar de uma maturidade artística rara, juntando mais imagens e mais densidade ao diálogo iniciado há décadas.

La vivencia cotidiana de los habitantes de la frontera con los territorios y personas del país situado al lado quedan al descubierto en sus reportajes fotográficos, sobre todo, en los vastos paisajes. Porque, si ancha es Castilla, también ancha es la Beira Baixa portuguesa, una panorámica continuada de tierra con un horizonte infinito.

Raquel Martín-Garay, periodista.

Há no trabalho de Cornu uma mestria técnica que nunca sobrepõe o artifício à verdade. A sua prática, situada entre a reportagem e o landscape, procura a intemporalidade, essa qualidade quase mística que Albert Bensoussan tão bem descreve ao evocar as cores “pardo” da Meseta. É o carácter raiano e fronteiriço que Idanha-a-Nova assume com orgulho que faz com que as relações com o “lado de lá” surjam com total naturalidade. A vivência quotidiana de proximidade e intercâmbio é o que legitima, de forma plena, uma exposição desta natureza, transformando o que poderia ser um olhar estrangeiro numa narrativa partilhada sobre a nossa própria identidade ibérica.

A fronteira é para Idanha-a-Nova um espaço de encontro, não de separação. Ao fixar a lente em Castela e nesta zona da raia, Cornu valida a vocação transfronteiriça desta terra. 

Bernard Cornu

Nascido em 1951, em Rennes, França, Bernard Cornu iniciou-se na fotografia ainda adolescente, com uma máquina de fole do pai, que era ferroviário.

A sua primeira exposição deve-a a Jean-Yves Veillard, curador do Museu da Bretanha, a quem tinha levado fotografias tiradas durante o derrame de petróleo do Amoco Cadiz, em 1978, ao largo da costa da Bretanha, momento que lhe assinalou um ponto de viragem, revelando-lhe o poder do testemunho fotográfico.

Seguiram-se, então, inúmeras publicações, abordando temas que vão desde os cavalos bretões ao futebol e à pesca até à vida rural em Portugal, país que percorre desde 1988 e com o qual criou uma profunda relação, fotografando pessoas e paisagens. Os vários livros bilingues criados em parceria com Nuno Júdice fazem prova disso mesmo.

Em 2024, Cornu doa 580 fotografias ao Município de Idanha-a-Nova, com cuja região criou uma relação artística apaixonante.

Professor de educação especial e fotógrafo amador, colabora frequentemente com escritores e jornalistas, e a sua obra abarca regiões que vão desde a Bretanha à Flandres, de Castela à Madeira, sempre concedendo particular atenção à luz. Inspirado por fotógrafos como Cartier-Bresson, Depardon, Adams ou Salgado, Cornu centra-se na captura da emoção, do instante e de uma certa imortalidade, registando sobretudo paisagens e o quotidiano em fotografia analógica a preto e branco.

CON INFORMACIÓN E IMAGEN DE www.idanha.pt

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