O Presidente da República presidiu, em Vila Nova de Foz Côa, no dia 10 de agosto, a sessão comemorativa do 30.º aniversário do Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC), a maior estação de arte rupestre paleolítica ao ar livre do mundo, classificada como Património Mundial da UNESCO em 1998. O evento contou com a presença do conselheiro da Cultura da Junta de Castela e Leão.
Na região nordeste de Portugal, feita de imponentes montanhas, corre para o rio Douro, vindo de sul, um afluente cujo nome se tornou universal: é o Côa, que encerra no seu vasto vale um vigoroso ciclo artístico. Milénio após milénio, as formações rochosas que delimitam o seu leito foram-se convertendo em painéis recobertos de milhares de gravuras legadas pelo impulso criador dos nossos antepassados.
“É preciso darmos uma atenção especial ao Côa, porque não estamos a falar de um vale qualquer. Estamos a preservar a maior biblioteca da arte rupestre do mundo”.
João Paulo Sousa, presidente da Fundação Côa Parque.
Remontando ao Paleolítico Superior inicial, estes «painéis» ao ar livre são testemunhos de uma vitalidade e de uma mestria de concepção e traços que trouxeram até nós 25.000 anos de tempo. Esta longa galeria de arte dá-nos registo do período Neolítico e da Idade do Ferro, transpondo depois de um só fôlego dois mil anos de História para firmar na Época Moderna representações religiosas, nomes, datas e até, há poucas dezenas de anos, algumas figuras feitas pelos filhos de um moleiro.
Os motivos, na sua quase totalidade gravados, apresentam temáticas, técnicas e convencionalismos comuns às obras coevas da Europa Ocidental que o séc. XIX haveria de descobrir aconchegadas nas grutas franco-cantábricas e a viragem do século viria a apelidar de grande arte. É no século XX que a arte do Côa surge das grutas para o ar livre, onde um jogo diário e sazonal de claridade e sombra a expõe e esconde numa fantástica sequência de revelação e ocultamento.
O primeiro parque arqueológico português
Os últimos dezassete quilómetros do curso das águas do Côa, no seu rumo de sul para norte, área que se estende até ao Douro, viriam a pertencer ao primeiro parque arqueológico português, incluído desde 2 de Dezembro de 1998 na lista dos monumentos que a UNESCO considera Património da Humanidade.
O processo de visita ao PAVC teve, desde 2010, uma majoração com a abertura do Museu do Côa e a colaboração de operadores particulares que organizam visitas a este espaço.
Posteriormente, a criação simultânea do Parque Arqueológico do Vale do Côa e do Centro Nacional de Arte Rupestre, ambos sediados em Vila Nova de Foz Côa, fazem parte de uma importante decisão governamental cujo alcance marcará a vários níveis, em Portugal, o estatuto da arte rupestre, da arqueologia e do património.
No campo da investigação científica, nos últimos anos têm revelado novas e importantes descobertas no Vale do Côa. Só no último ano, foi possível descobrir 60 novas gravuras em diferentes locais do Parque Arqueológico.
Como visitar as gravuras
Todo este magnífico conjunto ao ar livre, que põe de parte o velho mito da arte rupestre encerrada em cavernas, pode ser apreciado em visitas organizadas com guias especializados (mediante reserva): Canada do Inferno, o primeiro a ser descoberto, muito próximo de Vila Nova de Foz Côa, Ribeira de Piscos, em Muxagata, e Penascosa, próximo da aldeia de Castelo Melhor.
401.387 pessoas, dos diferentes continentes, visitaram o Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC), desde a sua abertura ao público, há exatamente 30 anos.
Em pleno Parque Arqueológico, a Quinta da Ervamoira é um complemento à visita das gravuras. Aqui encontra-se um museu que retrata a região e os seus costumes ancestrais, sem esquecer o tão antigo ciclo do pão e a tradição na produção dos vinhos do Douro, seguramente uma das outras incontestáveis riquezas desta região de Portugal.
A proteção da UNESCO
Há novos dados em relação às descobertas no Vale Côa, estando a descoberto 1615 painéis distribuídos por 104 sítios arqueológicos com motivos rupestres do Paleolítico Superior numa área que corresponde a 200 quilómetros quadrados, que é o total da área ocupada pelo PAVC.
O primeiro sítio colocado a descoberto aconteceu em 1995, na Cardina – Salto do Boi, que veio demonstrar uma ocupação do Paleolítico Superior, com 25.000 anos.
Mais recentemente, em 2025, foram descobertas novas gravuras desta feita com 26.000 anos.
Em 2020, foi posto a descoberto o maior auroque do mundo picotado na rocha do sítio do Fariseu com mais de três metros de comprimento, também do Paleolítico Superior.
Em 2018, foi comprovada a presença do homem de Neandertal (350.000 a 35.000 a.C.), no sito da Cardina – Salto do Boi.
As descobertas no Vale do Côa acabaram por suspender da construção da barragem do Côa, que foi decretada em 17 de janeiro de 1996, acompanhada pelo pedido de elaboração de um relatório sobre o valor patrimonial e arqueológico da região pela UNESCO, que permitisse ao Governo uma decisão definitiva e fundamentada sobre o projeto hidroelétrico.
Em julho de 1997, o conjunto arqueológico do Vale do Côa foi classificado como monumento nacional e, em dezembro de 1998, foi inscrito na lista de património mundial da UNESCO.
Siega Verde (em Salamanca) e o Vale do Côa (em Portugal) formam um complexo conjunto de arte rupestre do Paleolítico Superior ao ar livre na Península Ibérica.
Em 2010, a zona arqueológica de Siega Verde em Salamanca foi declarada Património Mundial pela UNESCO como uma extensão oficial dos sítios arqueológicos do Vale do Côa. Partilham semelhanças estilísticas, técnicas de picagem e incisão, e uma iconografia com animais da época glacial.
CON INFORMACIÓN E IMAGEN DE presidencia.pt


