Destino EF: Barco Moliceiro, o saber-fazer continua vivo em Aveiro

A UNESCO aprovou durante a 20.ª sessão do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, a inscrição do “Barco Moliceiro: Arte da Carpintaria Naval da Região de Aveiro” na lista do Património Cultural Imaterial que necessita de salvaguarda urgente. A decisão, anunciada em Nova Deli, representa um marco para o património cultural português e para a região do Centro, que vê assim o seu primeiro elemento inscrito nesta lista ser reconhecido internacionalmente.

 A candidatura foi promovida pela Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA) em colaboração com mestres construtores e pintores, municípios da região, entidades culturais, educativas e operadores turísticos ligados à Ria. Este trabalho conjunto permitiu realçar o valor cultural e identitário da embarcação e do saber-fazer associado à sua construção tradicional.

 O Barco Moliceiro, símbolo da Ria de Aveiro e da sua relação com a paisagem lagunar, representa uma prática artesanal profundamente enraizada na história local. A inscrição na lista de salvaguarda urgente reforça a importância de assegurar a continuidade deste conhecimento num contexto em que a sua transmissão enfrenta desafios significativos.

 No final da sessão, foi exibido o documentário “Barco Moliceiro — Há quem diga que já nasces connosco”, que apresentou às delegações internacionais a ligação entre a comunidade, o território e a embarcação, evidenciando a relevância cultural agora reconhecida pela UNESCO.

 A preservação e valorização desta arte passam agora por um Plano de Salvaguarda, já aprovado e que será operacionalizado pelas entidades envolvidas, traduzindo uma responsabilidade partilhada entre agentes públicos e privados.

El barco moliceiro: un arte de carpintería naval de la región de Aveiro

Texto © UNESCO

El barco moliceiro es una embarcación tradicional de madera diseñada originalmente para la recolección de plantas acuáticas, una actividad económica importante para la comunidad practicante.

Inscrito en 2025 (20.COM) en la Lista del Patrimonio Cultural Inmaterial que requiere medidas urgentes de salvaguardia

Estos barcos, construidos con madera de pino, siguen técnicas ancestrales de carpintería naval transmitidas de generación en generación. Los constructores utilizan una herramienta especial llamada pau-de-pontos para garantizar medidas precisas durante la construcción.

Cada moliceiro está decorado con cuatro paneles pintados que incluyen dibujos y leyendas, a menudo con mensajes humorísticos o significativos. Hoy en día, los barcos moliceiro se utilizan para ofrecer paseos pintorescos por los canales.

Los constructores suelen trabajar solos, aunque a veces reciben ayuda de familiares, aprendices o propietarios de embarcaciones. Una vez construido el barco, los pintores realizan los acabados finales, incluyendo los paneles decorativos y el emblema del constructor.

El conocimiento sobre la construcción de los barcos moliceiro se transmite oralmente dentro de las familias y astilleros. En los últimos años se han creado cursos profesionales para enseñar el oficio, pero hasta ahora ninguno de los participantes ha continuado como constructor activo.

Espacios culturales y eventos como las regatas de moliceiro y los concursos de paneles contribuyen a mantener la relevancia cultural de esta embarcación, fomentando el orgullo y la unidad comunitaria.

Sin embargo, a pesar de los esfuerzos recientes para facilitar el proceso de licenciamiento de estos barcos y hacer más accesible este elemento desde el punto de vista económico, el número de practicantes no ha aumentado proporcionalmente.

CON INFORMACIÓN E IMAGEN DE CCDRCentro / Unesco.

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